O retorno do imperialismo e o desafio Ético da Inteligência Artificial
- relatorio6

- 29 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: há 4 dias
* Por Luiz Henrique Arruda Miranda

O imperialismo está de volta — e desta vez, sem vergonha. Suas garras escancaradas se revelam em cada nova banalização da vida humana, em cada fato violento que domina as manchetes no Brasil e no mundo. Vivemos um tempo em que o noticiário — quase sempre em tempo real — se alimenta da dor como produto. Tragédias viram espetáculos. E é justamente essa perversidade que os algoritmos do mercado reconhecem como valor midiático: quanto mais medo, mais audiência.
A infovia da informação, dominada por redes digitais em constante expansão, é também uma arena de manipulação. Big Data, Business Intelligence, Inteligência Artificial e outros recursos tecnológicos tornaram-se ferramentas poderosas — e perigosas — para moldar percepções, reforçar narrativas e influenciar decisões políticas e econômicas em escala global. O ambiente digital, que deveria potencializar a autonomia dos sujeitos, muitas vezes os aprisiona em bolhas e reforça antagonismos.
É neste contexto que a mídia se mostra cada vez mais interativa, instantânea e subordinada aos humores do mercado financeiro. A liberdade de expressão ainda existe, mas é atravessada por interesses comerciais e estratégias de monetização. A consequência? Um jornalismo muitas vezes refém da performance e do clique, em detrimento do compromisso com o bem comum.
Ao refletir sobre essa realidade, recorro ao materialismo histórico-dialético, que ensina que toda nova etapa civilizatória traz consigo o germe de sua autodestruição. Não se trata de recuperar o marxismo como teoria econômica ou projeto político, mas de compreender que o avanço — por si só — não garante evolução. Ao contrário: sem consciência crítica, qualquer salto tecnológico pode se converter em abismo social.
É por isso que afirmo, com urgência: o momento de agir chegou. E o desafio é construir um novo Espírito de Estado — ético, responsável e humano. Um Estado capaz de harmonizar a força do poder econômico, de tendência naturalmente intervencionista, com a fé possível na paz entre os povos. Um Estado que adote como base uma pedagogia cidadã, comprometida com os direitos e deveres, guiada por algoritmos parametrizados pela comunicação não violenta e alimentados por valores como empatia, solidariedade e inclusão.
A Inteligência Artificial é, sim, uma conquista científica admirável. Mas seu uso precisa ser orientado por um novo tipo de aprendizado: imaterial, espiritual e coletivo. É preciso usá-la para fortalecer a dignidade humana, não para ameaçá-la. É preciso que a economia digital seja compatível com os princípios da sustentabilidade, da diversidade e da justiça social.
Que esse projeto seja economicamente viável com os avanços da mecatrônica, socialmente comprometido com a formação de novas demandas nas cadeias produtivas das Indústrias Criativas, e ambientalmente regenerativo, capaz de restaurar o equilíbrio com a natureza e atender, com dignidade, às necessidades humanas fundamentais.
Esse é o verdadeiro sentido de progresso que devemos perseguir — antes que a próxima síntese histórica nos devolva à barbárie.





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