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TV Globo, Programa Altas Horas, 23/05/2026. Crédito da foto: Arquivo pessoal!
TV Globo, Programa Altas Horas, 23/05/2026. Crédito da foto: Arquivo pessoal!

A noite deste sábado trouxe uma daquelas epifanias que apenas a sensibilidade dos grandes mestres da nossa cultura consegue traduzir. Em uma frase lapidar proferida no programa Altas Horas, exibido pela TV Globo, Caetano Veloso sintetizou a potência da nossa identidade: O samba cura.


Mais do que força de expressão, a afirmação de Caetano é uma chave filosófica para compreender o Brasil profundo. Essa medicina da alma tem origem bem delimitada: nasce nas rodas de samba da Bahia, gestada e praticada historicamente pela população preta.


O que começou como resistência e preservação de comunidade, expandiu-se e foi abraçado pela maioria, tornando-se o maior orgulho da nossa brasilidade.


O samba e suas múltiplas variações musicais criativas transformaram-se na marca de representação de um destino turístico acolhedor e irresistível chamado Brasil. Um país diverso culturalmente e detentor de uma valiosa sabedoria ancestral, que sempre soube como conviver de forma saudável e integrada com o meio ambiente.


A Sabedoria dos biomas

e o ranking mundial


Crédito: Gemini
Crédito: Gemini

Essa conexão íntima com a terra e com a cura reflete-se na riqueza natural que envelopa o nosso território. Falar de brasilidade é também saudar a biodiversidade que pulsa em cada um dos nossos seis biomas:

  • Amazônia: A maior floresta tropical do mundo, guardiã de um incomensurável património genético e cultural.

  • Cerrado: A savana mais antiga e biodiversa do planeta, berço das águas do continente.

  • Mata Atlântica: Floresta resiliente que, mesmo margeando a maior parte da população, abriga uma imensa riqueza de espécies.

  • Caatinga: O único bioma exclusivamente brasileiro, sinónimo de adaptação e força.

  • Pantanal: A maior planície de inundação contínua do globo, um santuário de vida selvagem.

  • Pampa: Os campos sulinos, marcados por uma paisagem única e uma rica tradição pastoril.


Graças a esse ecossistema extraordinário, o Brasil posiciona-se orgulhosamente no 1º lugar no ranking mundial de megabiodiversidade (países que abrigam as maiores fatias da flora e fauna do planeta). É a maior potência de capital natural da Terra.


 
 
 
  • 23 de abr.
  • 3 min de leitura

A amizade como travessia


A amizade transcende culturas, idiomas, hábitos, costumes, tradições, gerações e gêneros. Ela não pede passaporte nem exige tradução. Onde há escuta verdadeira, há território fértil para que ela aconteça.


Mais que afinidade, amizade é um estado de espírito. É perceber no outro a disponibilidade do acolhimento, do bem receber, do estar pronto para atender aquilo que for de interesse genuíno do outro — mesmo quando isso custa tempo, silêncio ou renúncia. Não é troca contábil. É presença. É saber que, se a estrada aperta, tem alguém que segura a lanterna sem cobrar a luz de volta. É saber pedir também e não apenas esperar.


Amizade como gesto cívico


Vivemos cercados de diferenças: de sotaque, de fé, de jeito de comer, de jeito de crer. A amizade é o primeiro laboratório onde aprendemos fraternidade na prática. Ela nos treina para a convivência pacífica entre cidadãos. Porque antes de sermos “eu” e “você”, somos parte da mesma praça. E a praça só funciona se todo mundo couber nela.


Nesse sentido, amizade é aprendizado cívico. Ela ensina três lições que nenhum manual de boas maneiras dá conta:


1. Reconhecer dignidade: Amigo não escolhe o outro pela utilidade. Reconhece nele alguém merecedor dos mesmos direitos humanos que reivindica para si.

2. Sustentar o dissenso: Amizade adulta aguenta discordância sem virar trincheira. Discute ideia, preserva pessoa. É o treino diário para uma democracia que não depende de que todo mundo pense igual. É não apontar o dedo para o outro e sim alertar, sugerir, guiar quando necessário. Ao apontar um dedo para o outro, estamos apontando três para si próprio.

3. Exercer responsabilidade: Estar disponível é também responsabilizar-se. Se vejo meu amigo errando, corrijo. Se vejo caindo, amparo. Se vejo calado, pergunto. Amizade não é conivência, é cuidado. E a reciprocidade não é instantânea. Ela vêm de acordo com o que o outro tem no momento. E amizade é saber reconhecer e respeitar o tempo de cada um.


Amizade como bem receber


Você falou em “bem receber”. Essa é a palavra-chave. Hospitalidade não é só abrir a porta de casa. É abrir a porta da atenção que pode vir de diferentes maneiras. É oferecer ao outro a certeza de que, ali, ele não precisa performar para ser aceito. Em um mundo que mede valor por produtividade, a amizade diz: “tua existência já basta”.


E esse gesto se repete em qualquer cultura. O japonês que serve chá em silêncio, o baiano que puxa a cadeira, o gaúcho que estende o mate, o paulistano que divide o guarda-chuva na Avenida Paulista. O rito muda, a intenção é a mesma: “senta aqui, você é bem-vindo”.


Amizade atravessa o tempo


Gerações passam, costumes mudam, gírias somem. Mas a necessidade de ter com quem repartir a madrugada continua. Amigos de infância viram memória afetiva. Amigos da vida adulta viram rede de sustentação. Amigos da velhice viram testemunhas da história que construímos. A amizade costura o tempo, porque transforma momentos isolados em biografia compartilhada.


Faca amolada e mão estendida


Você citou “faca amolada”. Curioso como amizade também exige lâmina: coragem de cortar o orgulho, de aparar o ego, de enfrentar conversa difícil. Não é só colo. É também confronto leal. Amigo de verdade não passa a mão na cabeça quando precisa passar a real. E depois do corte, ajuda a cicatrizar e não se afasta.


No fim, amizade é isso: faca amolada numa mão, e a outra mão estendida. Uma pra defender, a outra pra acolher. Uma pra dizer “vamos”, a outra pra dizer “pode contar comigo”.


Se cada cidadão cultivasse ao menos uma amizade assim, com alguém diferente de si, a fraternidade deixava de ser artigo de constituição e virava rotina de calçada. E talvez a paz não precisasse de tratado. Bastava um “e aí, como você tá?” dito com inteira disponibilidade de ouvir a resposta e nem sempre falar algo. Só lembrar. Estou aqui. E que com clareza mostre quando precise de algo. A correria do dia a dia muitas vezes elimina a conexão de saber se é um papo aleatório ou simplesmente um pedido de ajuda.

 
 
 

Se analisarmos os grandes picos de cobertura da imprensa brasileira nos últimos dois anos (2024–início de 2026), notamos uma dinâmica reveladora na forma como consumimos manchetes sobre a violência. De um lado, o conflito bélico internacional; do outro, uma guerra silenciosa e doméstica.

Ao cruzar os dados desses dois temas, três insights se destacam na ótica da comunicação e sociedade:


1️⃣ O Choque Episódico vs. A Tragédia Anunciada

A cobertura de conflitos no Oriente Médio (como os ataques do Irã em abril de 2024 ou a invasão ao Líbano no fim do mesmo ano) gera picos baseados no "choque imediato" e no medo global. Já o feminicídio só ganha as manchetes principais quando o Estado divulga seus anuários (julho de 2024 e julho de 2025). Tratamos a guerra internacional como um evento urgente, mas normalizamos a morte de mulheres como uma estatística sazonal.

 

2️⃣ O Ápice Simultâneo (Início de 2026)

Vivemos agora, no primeiro trimestre de 2026, um momento raro de sobreposição na mídia. Ao mesmo tempo em que os jornais fazem cobertura em tempo real da intervenção direta dos EUA no Irã, o noticiário brasileiro é forçado a olhar para dentro: batemos o recorde histórico absoluto de feminicídios na última década, em pleno Mês da Mulher.


3️⃣ A Competição pela Empatia (e Orçamento)

Enquanto guerras geopolíticas mobilizam bilhões em defesas, reuniões de cúpula e discursos inflamados sobre "proteger a nação", a guerra dentro das casas brasileiras continua subfinanciada, com redes de proteção falhas e medidas protetivas que não salvam vidas. A mídia reflete isso: o mundo para por um míssil, mas segue adiante após mais uma manchete de feminicídio.

A forma como a mídia pauta esses dois tipos de conflito diz muito sobre o que a nossa sociedade considera uma "crise real".


Como profissionais, cidadãos e formadores de opinião, precisamos questionar: estamos prestando atenção apenas ao barulho das bombas e ignorando o silêncio de quem sofre ao nosso lado?

O que você acha dessa dinâmica de cobertura da mídia? Deixe sua opinião nos comentários. 👇



*Luiz Henrique Arruda Miranda é Comunicador Social e CEO da Agência Amigo – Comunicação Integrada, publisher do Portal do Hoteleiro. Crédito: Imagem Blogger Show Vip. Legenda: Click! ou Clic clac!

 


 
 
 
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