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Blog 

  • 23 de abr.
  • 3 min de leitura

A amizade como travessia


A amizade transcende culturas, idiomas, hábitos, costumes, tradições, gerações e gêneros. Ela não pede passaporte nem exige tradução. Onde há escuta verdadeira, há território fértil para que ela aconteça.


Mais que afinidade, amizade é um estado de espírito. É perceber no outro a disponibilidade do acolhimento, do bem receber, do estar pronto para atender aquilo que for de interesse genuíno do outro — mesmo quando isso custa tempo, silêncio ou renúncia. Não é troca contábil. É presença. É saber que, se a estrada aperta, tem alguém que segura a lanterna sem cobrar a luz de volta. É saber pedir também e não apenas esperar.


Amizade como gesto cívico


Vivemos cercados de diferenças: de sotaque, de fé, de jeito de comer, de jeito de crer. A amizade é o primeiro laboratório onde aprendemos fraternidade na prática. Ela nos treina para a convivência pacífica entre cidadãos. Porque antes de sermos “eu” e “você”, somos parte da mesma praça. E a praça só funciona se todo mundo couber nela.


Nesse sentido, amizade é aprendizado cívico. Ela ensina três lições que nenhum manual de boas maneiras dá conta:


1. Reconhecer dignidade: Amigo não escolhe o outro pela utilidade. Reconhece nele alguém merecedor dos mesmos direitos humanos que reivindica para si.

2. Sustentar o dissenso: Amizade adulta aguenta discordância sem virar trincheira. Discute ideia, preserva pessoa. É o treino diário para uma democracia que não depende de que todo mundo pense igual. É não apontar o dedo para o outro e sim alertar, sugerir, guiar quando necessário. Ao apontar um dedo para o outro, estamos apontando três para si próprio.

3. Exercer responsabilidade: Estar disponível é também responsabilizar-se. Se vejo meu amigo errando, corrijo. Se vejo caindo, amparo. Se vejo calado, pergunto. Amizade não é conivência, é cuidado. E a reciprocidade não é instantânea. Ela vêm de acordo com o que o outro tem no momento. E amizade é saber reconhecer e respeitar o tempo de cada um.


Amizade como bem receber


Você falou em “bem receber”. Essa é a palavra-chave. Hospitalidade não é só abrir a porta de casa. É abrir a porta da atenção que pode vir de diferentes maneiras. É oferecer ao outro a certeza de que, ali, ele não precisa performar para ser aceito. Em um mundo que mede valor por produtividade, a amizade diz: “tua existência já basta”.


E esse gesto se repete em qualquer cultura. O japonês que serve chá em silêncio, o baiano que puxa a cadeira, o gaúcho que estende o mate, o paulistano que divide o guarda-chuva na Avenida Paulista. O rito muda, a intenção é a mesma: “senta aqui, você é bem-vindo”.


Amizade atravessa o tempo


Gerações passam, costumes mudam, gírias somem. Mas a necessidade de ter com quem repartir a madrugada continua. Amigos de infância viram memória afetiva. Amigos da vida adulta viram rede de sustentação. Amigos da velhice viram testemunhas da história que construímos. A amizade costura o tempo, porque transforma momentos isolados em biografia compartilhada.


Faca amolada e mão estendida


Você citou “faca amolada”. Curioso como amizade também exige lâmina: coragem de cortar o orgulho, de aparar o ego, de enfrentar conversa difícil. Não é só colo. É também confronto leal. Amigo de verdade não passa a mão na cabeça quando precisa passar a real. E depois do corte, ajuda a cicatrizar e não se afasta.


No fim, amizade é isso: faca amolada numa mão, e a outra mão estendida. Uma pra defender, a outra pra acolher. Uma pra dizer “vamos”, a outra pra dizer “pode contar comigo”.


Se cada cidadão cultivasse ao menos uma amizade assim, com alguém diferente de si, a fraternidade deixava de ser artigo de constituição e virava rotina de calçada. E talvez a paz não precisasse de tratado. Bastava um “e aí, como você tá?” dito com inteira disponibilidade de ouvir a resposta e nem sempre falar algo. Só lembrar. Estou aqui. E que com clareza mostre quando precise de algo. A correria do dia a dia muitas vezes elimina a conexão de saber se é um papo aleatório ou simplesmente um pedido de ajuda.

 
 
 

Se analisarmos os grandes picos de cobertura da imprensa brasileira nos últimos dois anos (2024–início de 2026), notamos uma dinâmica reveladora na forma como consumimos manchetes sobre a violência. De um lado, o conflito bélico internacional; do outro, uma guerra silenciosa e doméstica.

Ao cruzar os dados desses dois temas, três insights se destacam na ótica da comunicação e sociedade:


1️⃣ O Choque Episódico vs. A Tragédia Anunciada

A cobertura de conflitos no Oriente Médio (como os ataques do Irã em abril de 2024 ou a invasão ao Líbano no fim do mesmo ano) gera picos baseados no "choque imediato" e no medo global. Já o feminicídio só ganha as manchetes principais quando o Estado divulga seus anuários (julho de 2024 e julho de 2025). Tratamos a guerra internacional como um evento urgente, mas normalizamos a morte de mulheres como uma estatística sazonal.

 

2️⃣ O Ápice Simultâneo (Início de 2026)

Vivemos agora, no primeiro trimestre de 2026, um momento raro de sobreposição na mídia. Ao mesmo tempo em que os jornais fazem cobertura em tempo real da intervenção direta dos EUA no Irã, o noticiário brasileiro é forçado a olhar para dentro: batemos o recorde histórico absoluto de feminicídios na última década, em pleno Mês da Mulher.


3️⃣ A Competição pela Empatia (e Orçamento)

Enquanto guerras geopolíticas mobilizam bilhões em defesas, reuniões de cúpula e discursos inflamados sobre "proteger a nação", a guerra dentro das casas brasileiras continua subfinanciada, com redes de proteção falhas e medidas protetivas que não salvam vidas. A mídia reflete isso: o mundo para por um míssil, mas segue adiante após mais uma manchete de feminicídio.

A forma como a mídia pauta esses dois tipos de conflito diz muito sobre o que a nossa sociedade considera uma "crise real".


Como profissionais, cidadãos e formadores de opinião, precisamos questionar: estamos prestando atenção apenas ao barulho das bombas e ignorando o silêncio de quem sofre ao nosso lado?

O que você acha dessa dinâmica de cobertura da mídia? Deixe sua opinião nos comentários. 👇



*Luiz Henrique Arruda Miranda é Comunicador Social e CEO da Agência Amigo – Comunicação Integrada, publisher do Portal do Hoteleiro. Crédito: Imagem Blogger Show Vip. Legenda: Click! ou Clic clac!

 


 
 
 

Há um silêncio que se espalha pelo Brasil — não é o silêncio da apatia, mas o da lucidez. É a sensação de que a política partidária, do jeito como tem sido praticada, já não consegue traduzir a complexidade de quem trabalha, empreende, cuida da família, paga impostos, forma equipes, atende clientes, constrói reputação e, ainda assim, tenta acreditar no futuro. É desse lugar que escrevo: não me sinto representado por nenhum partido político. E, ao contrário do que muitos imaginam, não me sinto sozinho.


A ausência de identificação partidária não é sinônimo de ausência de valores. Pelo contrário: muitas vezes é um sinal de que os valores estão mais vivos do que os slogans. O que falta não é opinião; falta correspondência. Falta reconhecer, nos partidos e em seus discursos, uma conexão prática com as urgências do cotidiano: segurança com inteligência, educação com foco em resultado humano, saúde com respeito a quem atende e a quem é atendido, responsabilidade fiscal com compromisso social, inovação com ética, preservação ambiental com desenvolvimento economicamente viável. Falta ver o país real no centro das decisões — não apenas como cenário de disputa, mas como destinatário de soluções.


Quando digo que não me sinto representado, não estou fazendo um manifesto “contra a política”. Estou dizendo que o modelo de mediação política — a forma como partidos estão organizados, selecionam lideranças, definem prioridades e se comunicam — tem produzido um desalinhamento crescente com a sociedade.


A consequência é um fenômeno silencioso: uma multidão de pessoas que continua respeitando as instituições, mas já não se sente pertencente aos rótulos. E isso não ocorre só entre eleitores. É provável — e até compreensível — que muitos parlamentares, da Câmara de Vereadores ao Senado Federal, também experimentem esse desconforto: pressionados por coalizões, por dinâmicas internas e por uma lógica de “time” que, muitas vezes, sufoca o que deveria ser central: a entrega de políticas públicas consistentes.


Há, inclusive, um paradoxo que precisamos enfrentar: a democracia depende de partidos, mas a vida real raramente cabe em uma legenda. A realidade não é monocromática; ela é feita de nuances. Um mesmo cidadão pode defender responsabilidade fiscal e proteção social; pode querer estado eficiente e também políticas públicas robustas; pode apoiar desenvolvimento e preservação; pode ser conservador em alguns pontos e progressista em outros — sem que isso o torne incoerente. A incoerência, muitas vezes, está no sistema que exige “pacotes prontos” e reduz a cidadania a um placar.


O que fazer diante disso? O primeiro passo é abandonar a culpa e assumir a responsabilidade: não se sentir representado é um diagnóstico, não uma sentença. O segundo passo é criar novas formas de participação e controle social que não dependam apenas do “voto a cada quatro anos”. A política precisa voltar a ser, antes de tudo, um exercício de serviço — e serviço se mede por resultado, transparência e prestação de contas. A sociedade tem instrumentos para isso: conselhos, audiências públicas, associações, entidades setoriais, movimentos comunitários, imprensa séria, redes colaborativas, controle social com base em dados. O associativismo — quando é sério e comprometido com o interesse público — é uma escola de democracia: ensina a negociar, a construir consenso, a manter foco no que importa.


Também é hora de valorizar lideranças que não vivem de guerra permanente. O Brasil não precisa de salvadores; precisa de gestores de complexidade: gente capaz de ouvir, traduzir, pactuar, implementar e corrigir rota. Em qualquer esfera — municipal, estadual ou federal — o que falta não é fala; é método. E método se constrói com transparência, evidência, metas, indicadores e avaliação. Quando uma política pública dá certo, ela precisa ser replicada; quando dá errado, precisa ser revista sem teatro.


Eu não me sinto representado por nenhum partido político, mas me sinto representado por valores: dignidade humana, verdade como método, compromisso com resultado, respeito às diferenças, responsabilidade com o dinheiro público, ética na gestão, e uma crença simples — porém exigente — de que é possível fazer melhor. Se muitos parlamentares também se sentem deslocados dentro das engrenagens partidárias, talvez esteja aí um ponto de convergência: um convite à coragem de reorientar prioridades, reduzir a lógica do “nós contra eles” e recolocar o cidadão como razão de existir do mandato.


E aos que, como eu, se sentem fora das caixas, deixo uma certeza: você não está sozinho. Existe um Brasil imenso que quer menos grito e mais entrega; menos rótulo e mais responsabilidade; menos espetáculo e mais serviço. Não é pouca coisa. É, talvez, a base mais promissora de uma renovação verdadeira: aquela que não se anuncia em campanha, mas se pratica todos os dias — com coerência, com trabalho e com respeito ao país real.


*Luiz Henrique Arruda Miranda é Comunicador Social e CEO da Agência Amigo – Comunicação Integrada, publisher do Portal do Hoteleiro. Crédito: Imagem Blogger Show Vip. Legenda: Click! ou Clic clac!

 
 
 
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