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Se analisarmos os grandes picos de cobertura da imprensa brasileira nos últimos dois anos (2024–início de 2026), notamos uma dinâmica reveladora na forma como consumimos manchetes sobre a violência. De um lado, o conflito bélico internacional; do outro, uma guerra silenciosa e doméstica.

Ao cruzar os dados desses dois temas, três insights se destacam na ótica da comunicação e sociedade:


1️⃣ O Choque Episódico vs. A Tragédia Anunciada

A cobertura de conflitos no Oriente Médio (como os ataques do Irã em abril de 2024 ou a invasão ao Líbano no fim do mesmo ano) gera picos baseados no "choque imediato" e no medo global. Já o feminicídio só ganha as manchetes principais quando o Estado divulga seus anuários (julho de 2024 e julho de 2025). Tratamos a guerra internacional como um evento urgente, mas normalizamos a morte de mulheres como uma estatística sazonal.

 

2️⃣ O Ápice Simultâneo (Início de 2026)

Vivemos agora, no primeiro trimestre de 2026, um momento raro de sobreposição na mídia. Ao mesmo tempo em que os jornais fazem cobertura em tempo real da intervenção direta dos EUA no Irã, o noticiário brasileiro é forçado a olhar para dentro: batemos o recorde histórico absoluto de feminicídios na última década, em pleno Mês da Mulher.


3️⃣ A Competição pela Empatia (e Orçamento)

Enquanto guerras geopolíticas mobilizam bilhões em defesas, reuniões de cúpula e discursos inflamados sobre "proteger a nação", a guerra dentro das casas brasileiras continua subfinanciada, com redes de proteção falhas e medidas protetivas que não salvam vidas. A mídia reflete isso: o mundo para por um míssil, mas segue adiante após mais uma manchete de feminicídio.

A forma como a mídia pauta esses dois tipos de conflito diz muito sobre o que a nossa sociedade considera uma "crise real".


Como profissionais, cidadãos e formadores de opinião, precisamos questionar: estamos prestando atenção apenas ao barulho das bombas e ignorando o silêncio de quem sofre ao nosso lado?

O que você acha dessa dinâmica de cobertura da mídia? Deixe sua opinião nos comentários. 👇



*Luiz Henrique Arruda Miranda é Comunicador Social e CEO da Agência Amigo – Comunicação Integrada, publisher do Portal do Hoteleiro. Crédito: Imagem Blogger Show Vip. Legenda: Click! ou Clic clac!

 


 
 
 

Há um silêncio que se espalha pelo Brasil — não é o silêncio da apatia, mas o da lucidez. É a sensação de que a política partidária, do jeito como tem sido praticada, já não consegue traduzir a complexidade de quem trabalha, empreende, cuida da família, paga impostos, forma equipes, atende clientes, constrói reputação e, ainda assim, tenta acreditar no futuro. É desse lugar que escrevo: não me sinto representado por nenhum partido político. E, ao contrário do que muitos imaginam, não me sinto sozinho.


A ausência de identificação partidária não é sinônimo de ausência de valores. Pelo contrário: muitas vezes é um sinal de que os valores estão mais vivos do que os slogans. O que falta não é opinião; falta correspondência. Falta reconhecer, nos partidos e em seus discursos, uma conexão prática com as urgências do cotidiano: segurança com inteligência, educação com foco em resultado humano, saúde com respeito a quem atende e a quem é atendido, responsabilidade fiscal com compromisso social, inovação com ética, preservação ambiental com desenvolvimento economicamente viável. Falta ver o país real no centro das decisões — não apenas como cenário de disputa, mas como destinatário de soluções.


Quando digo que não me sinto representado, não estou fazendo um manifesto “contra a política”. Estou dizendo que o modelo de mediação política — a forma como partidos estão organizados, selecionam lideranças, definem prioridades e se comunicam — tem produzido um desalinhamento crescente com a sociedade.


A consequência é um fenômeno silencioso: uma multidão de pessoas que continua respeitando as instituições, mas já não se sente pertencente aos rótulos. E isso não ocorre só entre eleitores. É provável — e até compreensível — que muitos parlamentares, da Câmara de Vereadores ao Senado Federal, também experimentem esse desconforto: pressionados por coalizões, por dinâmicas internas e por uma lógica de “time” que, muitas vezes, sufoca o que deveria ser central: a entrega de políticas públicas consistentes.


Há, inclusive, um paradoxo que precisamos enfrentar: a democracia depende de partidos, mas a vida real raramente cabe em uma legenda. A realidade não é monocromática; ela é feita de nuances. Um mesmo cidadão pode defender responsabilidade fiscal e proteção social; pode querer estado eficiente e também políticas públicas robustas; pode apoiar desenvolvimento e preservação; pode ser conservador em alguns pontos e progressista em outros — sem que isso o torne incoerente. A incoerência, muitas vezes, está no sistema que exige “pacotes prontos” e reduz a cidadania a um placar.


O que fazer diante disso? O primeiro passo é abandonar a culpa e assumir a responsabilidade: não se sentir representado é um diagnóstico, não uma sentença. O segundo passo é criar novas formas de participação e controle social que não dependam apenas do “voto a cada quatro anos”. A política precisa voltar a ser, antes de tudo, um exercício de serviço — e serviço se mede por resultado, transparência e prestação de contas. A sociedade tem instrumentos para isso: conselhos, audiências públicas, associações, entidades setoriais, movimentos comunitários, imprensa séria, redes colaborativas, controle social com base em dados. O associativismo — quando é sério e comprometido com o interesse público — é uma escola de democracia: ensina a negociar, a construir consenso, a manter foco no que importa.


Também é hora de valorizar lideranças que não vivem de guerra permanente. O Brasil não precisa de salvadores; precisa de gestores de complexidade: gente capaz de ouvir, traduzir, pactuar, implementar e corrigir rota. Em qualquer esfera — municipal, estadual ou federal — o que falta não é fala; é método. E método se constrói com transparência, evidência, metas, indicadores e avaliação. Quando uma política pública dá certo, ela precisa ser replicada; quando dá errado, precisa ser revista sem teatro.


Eu não me sinto representado por nenhum partido político, mas me sinto representado por valores: dignidade humana, verdade como método, compromisso com resultado, respeito às diferenças, responsabilidade com o dinheiro público, ética na gestão, e uma crença simples — porém exigente — de que é possível fazer melhor. Se muitos parlamentares também se sentem deslocados dentro das engrenagens partidárias, talvez esteja aí um ponto de convergência: um convite à coragem de reorientar prioridades, reduzir a lógica do “nós contra eles” e recolocar o cidadão como razão de existir do mandato.


E aos que, como eu, se sentem fora das caixas, deixo uma certeza: você não está sozinho. Existe um Brasil imenso que quer menos grito e mais entrega; menos rótulo e mais responsabilidade; menos espetáculo e mais serviço. Não é pouca coisa. É, talvez, a base mais promissora de uma renovação verdadeira: aquela que não se anuncia em campanha, mas se pratica todos os dias — com coerência, com trabalho e com respeito ao país real.


*Luiz Henrique Arruda Miranda é Comunicador Social e CEO da Agência Amigo – Comunicação Integrada, publisher do Portal do Hoteleiro. Crédito: Imagem Blogger Show Vip. Legenda: Click! ou Clic clac!

 
 
 
Jaqueline Gil (esquerda) entrega certificado de corais em regeneração na costa brasileira, da Biofábrica de Corais, para adoção por Matt Sorum (centro), ex-baterista do Guns’n’Roses e investidor em projetos socioambientais, e por Pablo Lobo, fundador da Sthorm.io, plataforma de inovação multisetorial a favor do planeta e com sede em Piracicaba (SP) | Crédito: Jaqueline Gil
Jaqueline Gil (esquerda) entrega certificado de corais em regeneração na costa brasileira, da Biofábrica de Corais, para adoção por Matt Sorum (centro), ex-baterista do Guns’n’Roses e investidor em projetos socioambientais, e por Pablo Lobo, fundador da Sthorm.io, plataforma de inovação multisetorial a favor do planeta e com sede em Piracicaba (SP) | Crédito: Jaqueline Gil

A presidência da COP30 oferece ao Brasil uma oportunidade histórica: consolidar-se como uma liderança amada e respeitada por seu compromisso inabalável com as pessoas, a natureza e o amanhã. A partir de Belém, o país pode oferecer um teste de confiança ao multilateralismo, convertendo metas climáticas em resultados tangíveis de bem-estar coletivo.

Três movimentos estratégicos dão forma a essa voz única:


1. O bem-estar como métrica de paz

O Brasil deve liderar a tese de que segurança climática é, essencialmente, segurança humana: acesso a saúde, renda, moradia, água e alimento. Ao vincular compromissos ambientais a indicadores de vida real, reduzimos o espaço para soluções coercitivas — lógicas incompatíveis com a democracia e a paz. Em um mundo assombrado pelo risco nuclear e pela força bruta (como alerta o CICV), cabe aos brasileiros reiterar que a estabilidade global nasce da satisfação das necessidades humanas básicas.


2. Inovação com "Selo Embrapa": a ciência que entrega

Nossa presidência deve ser a vitrine de uma transição produtiva. Em vez de slogans, ofereceremos soluções baseadas em pesquisa, extensão e inovação aberta. O Plano ABC+ (2020-2030) exemplifica essa jornada, focando em sistemas, práticas e produtos sustentáveis adaptados aos trópicos. Ferramentas como o SuperApp Brasil na Palma da Mão (BPM) articulam essa tecnologia para o usuário final, fortalecendo nossa hospitalidade ao receber o mundo com ciência aplicada e resultados mensuráveis.


3. Pertencimento e a nova economia colaborativa do turismo

A verdadeira transformação ocorre através da "catarse cívica" dos turistas. Engajar pelo pertencimento significa transformar o ato de "usar" em "servir". O turismo responsável surge aqui como uma moeda alternativa às disputas financeiras globais; um lastro baseado em experiências reais que valoriza tanto quem viaja quanto quem acolhe.


Turistas buscam paz, aprendizado e saúde; não existe demanda para o turismo de guerra entre aqueles que respeitam a vida e a liberdade individual. Ao "algoritmizar" o saber científico e os Direitos Humanos, promovemos uma mobilidade social justa. O Brasil, líder mundial em atrativos naturais e 8º em atrativos culturais, tem recursos para capitanear a economia colaborativa do turismo que remunera o impacto social positivo — auditável e vinculado a projetos reais de educação e proteção ambiental.


Conclusão: uma nova etapa civilizatória


A COP30 convida brasileiros e estrangeiros a experimentarem sistemas integrados que priorizam a qualidade de vida. Inspirados por vozes como a de Janete Gil — nossa representante em Davos que traz sinergias globais para o Portal do Hoteleiro —, devemos resistir a lógicas de dominação. Que o senso de pertencimento e a autoestima guiem este novo passo da evolução civilizatória, acelerado pela tecnologia, onde o bem-estar social é o valor supremo.


Luiz Henrique Arruda Miranda


 
 
 
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