- 27 de dez. de 2025
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Atualizado: há 4 dias
À medida que nos aproximamos do ciclo eleitoral de 2026 no Brasil, uma premissa fundamental molda a perspectiva analítica: o embate principal não se dará apenas entre ideologias tradicionais ou figuras políticas, mas sim entre o mundo dos fatos objetivos e a teia viral da desinformação (fake news). Este é um desafio global, onde a crença se sobrepõe à verdade, e o Brasil, com sua intensa digitalização e polarização, está no centro dessa arena.
A ascensão da política baseada em narrativas digitais e a desconfiança nas instituições tradicionais criaram um ecossistema onde a "realidade" é um produto negociável. O cidadão comum, inundado por informações fragmentadas, luta para discernir o que é verificável e o que é pura propaganda emocional.
O Efeito 'Trump': A Fatura da Promessa Não Cumprida
Um estudo de caso notório que ilustra as consequências de governar sob o manto da "pós-verdade" é o atual governo de Donald Trump nos Estados Unidos. Sua ascensão foi impulsionada por uma retórica que prometia melhoria imediata na qualidade de vida. No entanto, os dados recentes revelam um descompasso entre a narrativa e a realidade tangível para o eleitorado.

A queda de 47% para 36% na aprovação de Trump reflete o choque entre o populismo retórico e a rigidez dos indicadores econômicos. Quando a inflação e as tarifas impactam o consumo, o eleitor tende a abandonar a narrativa ideológica em favor do fato material, sugerindo que o "fetiche informativo" das fake news possui um limite intransponível: a realidade do custo de vida.
A Projeção para 2026 no Brasil
No contexto brasileiro, a eleição de 2026 tende a amplificar essa dinâmica. O sucesso de uma campanha não estará mais unicamente na capacidade de gerar engajamento com desinformação, mas sim em como a realidade econômica responderá às promessas.
• O Eixo Fato: O lado que apresentar dados irrefutáveis sobre emprego e estabilidade terá a vantagem de ancorar sua narrativa em evidências. Em 2026, o estômago do eleitor falará mais alto do que qualquer manchete fabricada.
• O Eixo Fake: A desinformação focará em deslegitimar conquistas e fabricar crises emocionais. Contudo, como o caso Trump demonstra, a verdade pode se atrasar, mas ela cobra seu preço no final.
Neste cenário, é e será cada vez mais importante lembrar que o turismo, as viagens e os eventos representam um vetor estratégico e transversal do desenvolvimento sustentável no Brasil, desde que totalmente alinhado às metas aprovadas na COP 30, que reforçam a necessidade de geração de emprego digno, redução das desigualdades regionais, valorização da sociobiodiversidade e aceleração da economia verde.
Ao impulsionar cadeias produtivas que envolvem transporte, hotelaria, gastronomia, cultura, economia criativa, agricultura familiar e tecnologia, a atividade turística promove distribuição de renda com baixo impacto ambiental relativo, quando comparada a outros setores intensivos em recursos naturais.
Além disso, fortalece a preservação de ecossistemas e patrimônios culturais ao criar incentivo econômico direto para sua conservação, sobretudo em territórios tradicionais de raiz inclusiva e destinos de natureza, essenciais para o protagonismo brasileiro na agenda climática global.
Por meio de políticas integradas de infraestrutura, digitalização, qualificação profissional, eventos sustentáveis e gestão territorial participativa, o Turismo se afirma como caminho concreto para o Brasil cumprir compromissos climáticos, atraindo investimentos, estimulando inovação e ampliando oportunidades para milhões de brasileiros, com inclusão social, diversidade e respeito ao meio ambiente como pilares permanentes do desenvolvimento nacional.
Para que esse potencial seja plenamente alcançado, torna-se essencial a adoção de políticas públicas modernas e estruturadas, que incentivem o turismo pedagógico desde o ensino médio, possibilitando que estudantes vivenciem, de forma prática, conteúdos de história, ciência, cultura e meio ambiente, ao mesmo tempo em que fortalecem as economias locais.
Da mesma forma, o turismo de saúde deve ser impulsionado com incentivos à qualidade assistencial nos destinos regionais, apoiado por algoritmos de gestão e análise preditiva que permitam racionalizar os investimentos públicos em parceria com a iniciativa privada, sob modelos de governança corporativa alinhados aos pilares ESG — garantindo segurança, transparência e benefícios sociais mensuráveis.
Soma-se a isso a necessidade de organizar e promover o turismo de eventos e as viagens de negócios, alavancas essenciais para o desenvolvimento urbano, a atração de investimentos, a inovação e a geração de renda durante todo o ano, com impacto positivo em cadeias produtivas robustas e de grande capilaridade.
Ao integrar educação, saúde, negócios e sustentabilidade no planejamento turístico nacional, o Brasil fortalece seu protagonismo na agenda climática global, expande oportunidades de trabalho, qualifica destinos e transforma viagens em instrumento efetivo de desenvolvimento econômico, social e ambiental para as futuras gerações.
Adoção da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes Digital, apoiada pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – ABIH, viabiliza a valorização de todos os segmentos reconhecidos pelo CADASTUR.




