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Atualizado: 8 de jan.

* Por Luiz Henrique Arruda Miranda


Foto: ChatGPT
Foto: ChatGPT

O imperialismo está de volta — e desta vez, sem vergonha. Suas garras escancaradas se revelam em cada nova banalização da vida humana, em cada fato violento que domina as manchetes no Brasil e no mundo. Vivemos um tempo em que o noticiário — quase sempre em tempo real — se alimenta da dor como produto. Tragédias viram espetáculos. E é justamente essa perversidade que os algoritmos do mercado reconhecem como valor midiático: quanto mais medo, mais audiência.


A infovia da informação, dominada por redes digitais em constante expansão, é também uma arena de manipulação. Big Data, Business Intelligence, Inteligência Artificial e outros recursos tecnológicos tornaram-se ferramentas poderosas — e perigosas — para moldar percepções, reforçar narrativas e influenciar decisões políticas e econômicas em escala global. O ambiente digital, que deveria potencializar a autonomia dos sujeitos, muitas vezes os aprisiona em bolhas e reforça antagonismos.


É neste contexto que a mídia se mostra cada vez mais interativa, instantânea e subordinada aos humores do mercado financeiro. A liberdade de expressão ainda existe, mas é atravessada por interesses comerciais e estratégias de monetização. A consequência? Um jornalismo muitas vezes refém da performance e do clique, em detrimento do compromisso com o bem comum.

Ao refletir sobre essa realidade, recorro ao materialismo histórico-dialético, que ensina que toda nova etapa civilizatória traz consigo o germe de sua autodestruição. Não se trata de recuperar o marxismo como teoria econômica ou projeto político, mas de compreender que o avanço — por si só — não garante evolução. Ao contrário: sem consciência crítica, qualquer salto tecnológico pode se converter em abismo social.


É por isso que afirmo, com urgência: o momento de agir chegou. E o desafio é construir um novo Espírito de Estado — ético, responsável e humano. Um Estado capaz de harmonizar a força do poder econômico, de tendência naturalmente intervencionista, com a fé possível na paz entre os povos. Um Estado que adote como base uma pedagogia cidadã, comprometida com os direitos e deveres, guiada por algoritmos parametrizados pela comunicação não violenta e alimentados por valores como empatia, solidariedade e inclusão.


A Inteligência Artificial é, sim, uma conquista científica admirável. Mas seu uso precisa ser orientado por um novo tipo de aprendizado: imaterial, espiritual e coletivo. É preciso usá-la para fortalecer a dignidade humana, não para ameaçá-la. É preciso que a economia digital seja compatível com os princípios da sustentabilidade, da diversidade e da justiça social.


Que esse projeto seja economicamente viável com os avanços da mecatrônica, socialmente comprometido com a formação de novas demandas nas cadeias produtivas das Indústrias Criativas, e ambientalmente regenerativo, capaz de restaurar o equilíbrio com a natureza e atender, com dignidade, às necessidades humanas fundamentais.


Esse é o verdadeiro sentido de progresso que devemos perseguir — antes que a próxima síntese histórica nos devolva à barbárie.

 

 
 
 
  • 23 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 8 de jan.

Por Luiz Henrique Arruda Miranda – Comunicador Social



A violência, justificada ou não, é um fato que atravessa a história da humanidade. Em 2025, ainda é um traço dominante de nossas relações sociais, econômicas e até afetivas. O direito à defesa, amparado juridicamente e celebrado como pilar da liberdade individual, muitas vezes se converte em instrumento de perpetuação da violência, legitimando ações que ferem o coletivo sob o pretexto da proteção pessoal ou da propriedade.


Vivemos numa sociedade marcada por contradições gritantes. Supor que a espécie humana seja capaz de conviver em paz plena é quase um ato de fé, pois o comportamento beligerante continua sendo incentivado — e premiado — em muitos círculos de poder. A cultura do confronto, do "nós contra eles", atravessa fronteiras geográficas, ideológicas e até familiares. A busca irracional por poder transforma o outro em ameaça e a defesa em ataque.


Mas é nesse mesmo paradoxo que reside a esperança de transformação. O desafio contemporâneo está em reinterpretar os valores que nos regem, não pela negação da propriedade ou do direito à defesa, mas pela valorização de algo ainda mais fundamental: o direito à dignidade compartilhada. Não apenas sobreviver, mas viver com propósito. Sonhar com recursos dignos e acessar meios legítimos de realização, sem que isso resulte em prejuízo para o próximo ou para o planeta.


O lucro, tão demonizado em discursos românticos e tão endeusado nos manuais de negócios, é necessário. Ele financia a inovação, a ciência, a educação e as ferramentas que nos permitem construir a paz — ou ao menos reduzir a ignorância que perpetua a violência. Desde que seja reinvestido com propósito, com senso de comunidade e com visão de longo prazo, o lucro pode se tornar uma alavanca de bem-estar coletivo.


É aí que o turismo se revela não apenas como um setor econômico estratégico, mas como prática civilizatória. Não me refiro ao turismo de massa predatório, mas àquele que emerge do respeito à diversidade e ao território. O turismo de saúde, o pedagógico, o regenerativo, o de negócios sustentáveis e os eventos criativos B2B e B2C, todos esses segmentos se encontram num ponto comum: a valorização da experiência como ferramenta de encontro.


Encontrar o outro, diferente de nós, pode nos ensinar mais sobre nós mesmos do que qualquer manual de ética. E esse encontro — quando mediado por respeito, hospitalidade e conhecimento — torna-se uma prática de paz. Uma experiência que celebra os saberes ancestrais, os rituais culturais, os costumes locais. É nesse campo simbólico que o turismo se conecta à sabedoria coletiva e ganha um papel protagonista na formação de uma cidadania global. A paz pode não ser um ponto de chegada, mas ela precisa ser o caminho. Um caminho pavimentado pela inclusão, pela compreensão e pela capacidade de reconhecer que a liberdade só se sustenta quando estendida ao outro. A utopia da convivência pacífica talvez nunca se concretize plenamente. Mas cada gesto, cada escolha, cada política pública que favorece o conhecimento, o diálogo e o encontro respeitoso nos aproxima de um mundo menos hostil.


E talvez — só talvez — isso seja mais revolucionário do que qualquer ato de defesa.

 
 
 

Atualizado: 8 de jan.


*Por Luiz Henrique de Arruda e Miranda


A teoria de Karl Marx sobre a mais-valia exerceu e ainda exerce enorme influência no debate político e econômico global. Sua denúncia sobre a apropriação indevida do valor gerado pelo trabalho, e seu apelo por justiça social, são motivações legítimas. No entanto, há um erro conceitual de base que precisa ser discutido: a ideia de que a mais-valia estaria contida na mercadoria e apropriada pelo capitalista, como se o objeto fosse em si o símbolo da exploração.


Ao propor a luta de classes como motor da transformação histórica rumo ao socialismo, o marxismo termina por aprisionar o trabalhador em um antagonismo absoluto e pouco produtivo. Ignora que, na vida real, ninguém produz nada sozinho — e que toda atividade produtiva depende de redes de apoio, de trocas colaborativas e da integração entre diferentes agentes.


O valor agregado ao produto pelo trabalhador não desaparece. Ele se expande à medida que o trabalho é distribuído em redes que geram efeitos multiplicadores: emprego, impostos, inovação, qualidade de vida. A mais-valia, então, não está no preço da mercadoria, mas na prosperidade gerada quando o excedente é revertido ao bem comum. Quando há justiça na circulação de valor, não há espoliação — há cooperação.


Marx acertou ao colocar a justiça social no centro do debate. Mas errou ao localizar o problema exclusivamente na mercadoria e na figura do capitalista. É hora de superarmos esse fetiche e reconhecermos o papel transformador da interdependência produtiva como fundamento para uma sociedade mais justa, sem anular o mérito, a criatividade e a responsabilidade compartilhada.


*Luiz Henrique Arruda Miranda é Comunicador Social e CEO da Agência Amigo – Comunicação Integrada, skalega, publisher do portaldohoteleiro.com.br, da Revista Visite Guarujá e diretor de Comunicação e Marketing da Skål Internacional São Paulo

 
 
 
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