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O que a escalada da guerra no Oriente Médio e os recordes de feminicídio no Brasil revelam sobre a nossa atenção?

  • 16 de mar.
  • 2 min de leitura

Se analisarmos os grandes picos de cobertura da imprensa brasileira nos últimos dois anos (2024–início de 2026), notamos uma dinâmica reveladora na forma como consumimos manchetes sobre a violência. De um lado, o conflito bélico internacional; do outro, uma guerra silenciosa e doméstica.

Ao cruzar os dados desses dois temas, três insights se destacam na ótica da comunicação e sociedade:


1️⃣ O Choque Episódico vs. A Tragédia Anunciada

A cobertura de conflitos no Oriente Médio (como os ataques do Irã em abril de 2024 ou a invasão ao Líbano no fim do mesmo ano) gera picos baseados no "choque imediato" e no medo global. Já o feminicídio só ganha as manchetes principais quando o Estado divulga seus anuários (julho de 2024 e julho de 2025). Tratamos a guerra internacional como um evento urgente, mas normalizamos a morte de mulheres como uma estatística sazonal.

 

2️⃣ O Ápice Simultâneo (Início de 2026)

Vivemos agora, no primeiro trimestre de 2026, um momento raro de sobreposição na mídia. Ao mesmo tempo em que os jornais fazem cobertura em tempo real da intervenção direta dos EUA no Irã, o noticiário brasileiro é forçado a olhar para dentro: batemos o recorde histórico absoluto de feminicídios na última década, em pleno Mês da Mulher.


3️⃣ A Competição pela Empatia (e Orçamento)

Enquanto guerras geopolíticas mobilizam bilhões em defesas, reuniões de cúpula e discursos inflamados sobre "proteger a nação", a guerra dentro das casas brasileiras continua subfinanciada, com redes de proteção falhas e medidas protetivas que não salvam vidas. A mídia reflete isso: o mundo para por um míssil, mas segue adiante após mais uma manchete de feminicídio.

A forma como a mídia pauta esses dois tipos de conflito diz muito sobre o que a nossa sociedade considera uma "crise real".


Como profissionais, cidadãos e formadores de opinião, precisamos questionar: estamos prestando atenção apenas ao barulho das bombas e ignorando o silêncio de quem sofre ao nosso lado?

O que você acha dessa dinâmica de cobertura da mídia? Deixe sua opinião nos comentários. 👇



*Luiz Henrique Arruda Miranda é Comunicador Social e CEO da Agência Amigo – Comunicação Integrada, publisher do Portal do Hoteleiro. Crédito: Imagem Blogger Show Vip. Legenda: Click! ou Clic clac!

 


 
 
 

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